sábado, 23 de janeiro de 2016

E a dança continua...

Este blogue recebe o mesmo nome do primeiro, que na verdade era o segundo, sendo que o primeiro perdeu-se na noite dos tempos e da minha memória. Mas é capaz de ele estar por aí, boiando, à deriva. O nome deste segundo, que é o primeiro Semente, já foi Diário da Deriva, título com o qual o imortal Edson Bueno de Camargo me adicionou ao seu Inventário de Naufrágios, devido, segundo ele, a ressonâncias entre os nomes dos nossos blogues, e a nossa poesia. Antes de Edson trans-mutar-se, eu mudei o título e endereço do blogue para Semente Ardente, uma referência ao poema inicial do  Crepusculario, de Neruda. Eu pedi a Edson que fizesse a mudança na sua lista de naufrágios, e ele, muito gentil, fez a mudança na hora, e eu não vou mentir, sinto um gosto danado de estar nessa lista!
Voltando ao primeiro Semente, ele é um caos. Uma miscelânea louca de vozes e maneiras, o retrato de uma busca poética em movimento, um vitral alucinado sobre o qual incidiu muito do que eu vivi de mais terrível na minha vida. Se eu tivesse tido a possibilidade de ter calma para criar, pensar melhor as coisas, pesar, provavelmente eu tivesse criado algo bem legal. O Semente I é um apanhado mal-escolhido de um monte de coisa dispersa que eu tinha em meus cadernos. Tudo que está lá é minha verdade, não tem fingimento, disso posso me orgulhar. As referências, o Tarô, Lovecraft, o Beat, o Rock, tá tudo lá, mas de forma muito desorganizada.

Resumo: O Semente Ardente I é uma bagunça, a sua capa é horrível, e o layout é besta.

O Semente II provavelmente também não será o blogue mais organizado do mundo, e nem a minha vida se tornou fácil, mas como eu senti que um ciclo de dança sígnica se encerrou em mim, dando início a outro, achei melhor iniciar outro blogue, embora mantendo o nome. Além do mais eu perdi a senha do Semente I, perdi o celular para o qual o gmail mandava os códigos de restauração, e estou com uma preguiça imensa de prosseguir com essa restauração.
Bom, no mais, me resta deixar aqui na porta o poema de Don Pablo que inspirou o título do blogue.
ps.: Quem quiser ler o Semente Ardente I, ele está aí ao lado, nas "Outras Germinações".

debruço-me
sobre a página.

os signos dançam,
abelhas elétricas
em torno de uma lâmpada
apagada.

tudo no papel é inverno,
embora o sol já nasça

(atendendo ao cão,
que o chamou
a noite inteira)

gota a gota 
cresce a luz
do dia

entre flashes
vislumbro a face magra
desse poema


 Rafael Medeiros